O Núcleo de Estudos em Música (NESMU) do Conservatório Estadual de Música Dr. José Zóccolli de Andrade de Ituiutaba, coordenado pela professora Denise Andrade de Freitas Martins foi constituído pelas inquietações dos professores integrantes do grupo em relação ao ensino de música ainda vigente em escolas especializadas, os Conservatórios, marcado de forte tendência para o ensino de instrumentação e leitura musical, com repertório e metodologias de forte tradição européia, e a partir de uma experiência investigativa de aportes de africanidades em música e dança realizada com estudantes em uma escola pública estadual.

No ano de 2012, preocupados em relação ao ensino de música voltado unicamente para a instrumentação solo e leitura musicais e, ainda, pela aquisição de instrumentos de teclas temperadas e percussão, professores e estudantes do Conservatório Estadual de Música de Ituiutaba se reuniram para discutir uma proposta de estudo em grupo que possibilitasse novas experiências musicais, dando origem assim ao grupo de estudos denominado NESMU.

O objetivo é o de estudar a música africana como estratégia de reconhecimento e valorização da história e cultura africana e afro-brasileira na escola de música, um meio de acesso ao conhecimento das nossas origens interculturais.

A proposta inicial foi a de que se estudasse música africana, a partir de uma experiência investigativa de aportes de africanidades em música e dança realizada no ano de 2011 com estudantes em uma escola pública estadual de Ituiutaba, como estratégia de reconhecimento e valorização da história e cultura africana e afro-brasileira na escola. E, música brasileira para grupo de percussão, com ênfase à obra do compositor Cesar Traldi intitulada “Três Momentos para Marimba e Grupo de Percussão”. Desse modo, elaborou-se um plano de ensino, com encontros semanais, em torno de dez participantes, onde cada pessoa assume a cada encontro um papel específico, seja o de coordenador do dia, o de apresentador do conteúdo proposto, o de relator das atividades realizadas, o de cantor/a, ou o de instrumentista.

Os encontros são realizados semanalmente a partir de um cronograma colaborativo, onde cada pessoa assume um papel, seja o de coordenador do dia, de apresentador do conteúdo proposto, de relator da atividade realizada, de cantor/a, ou instrumentista (em geral teclas temperadas e percussão). Nesses encontros fala-se de África e africanidades: as músicas não são executadas simplesmente, mas relacionadas com os países de origem e suas localizações geográficas; as letras são traduzidas e discutidas; ouve-se e se vê gravações em CDs, DVDs, internet; os arranjos são resultado da participação das pessoas envolvidas.

Vale ressaltar os trabalhos desenvolvidos pelo grupo, o que podemos apontar uma série de palestras, oficinas e apresentações realizadas até o presente momento, como: no ano de 2012 o grupo ministrou uma oficina para os alunos da Escola Municipal Rosa Tahan; apresentação na Semana Cultural do 19º Concurso de Piano “Prof. Abrão Calil Neto” e na “VI Inter′Artes: Cultura Afro-brasileira, Integração das artes visuais, cinema, dança, música, teatro”, (Conservatório); palestra e apresentação no PREVESTI e na Roda de debates sobre políticas afirmativas (FEIT/UEMG)-Fundação Educacional de Ituiutaba/MG; realização de oficina no VI Seminário de Educação das Relações Étnico-Raciais e Ações Afirmativas (FACIP/UFU)-Faculdade de Ciências Integradas/Ituiutaba; abertura do II Fórum Internacional Sobre Prática Docente Universitária Planejamento e Avaliação no Contexto Glocal (UFU). No ano de 2013 o repertório musical trabalhado pelo grupo expandiu seus trabalhos.

O estudo de música para o grupo de percussão é uma possibilidade de novas aprendizagens em sonoridades, recursos técnicos, simbologias e novas e inventivas linguagens musicais. Dentre as dificuldades destaca-se a existência de preconceitos e desprezo em relação à simplicidade da letra e dos instrumentos musicais, de percussão em sua maioria. 

Assim acredita-se que experiências como essas podem representar uma maneira de reconhecer e valorizar tanto as africanidades na escola quanto as potencialidades de uso, manuseio e exploração de instrumentos de percussão tão presentes embora veladas aos olhos da maioria de nós brasileiras e brasileiros.